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4 sapos

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

4 sapos

20
Mai20

Voltámos à normalidade?


Mãe Maria

A pandemia e o seu confinamento afetou-me, ao fim de um mês. É a pura das verdades. Só quero, neste momento, recuperar a mente para a regular aos meus ritmos normais, se é que existe normalidade em mim.

Fiz de te tudo para manter-me ocupada e assim estive. Não houve monotonia.

Houve sim, limitação de movimentos, não físicos, mas puramente psicológicos.

Saber que a limitação existia e que sair à rua era como caminhar em ponte suspensa, ou dançar sobre corda bamba, atingiu-me que nem cupido é capaz de atingir o coração mais apaixonado.

E está dificil vencer esta prisão sem grades. Sempre vi e respirei a noite e o dia, sempre caminhei sobre as pedras da calçada, sempre num voo livre que na verdade nunca o foi. E, saber destes limites, bate-me no fundo de mim mesmas com tal intensidade que desmorono.

Logo penso nas férias. Para onde? Como gerir esses tão preciosos e ansiados dias de descanso se tudo vai ter de ser complementado com toneladas de vigilância, com pezinhos de lã, de boca tapada, de gel no bolso e lenços de papel a triplicar? Como sentir a liberdade? Como? Pergunto vos eu, porque não consigo senti-la normal. Só saber das suas limitações, logo entro em agonia interna.

E ainda me fundem os neurónios passar pelos acérrimos defensores da desinfeção aguda (que estão no seu pleno direito, isso eu sei), dos que se distânciam de mim um ror de quilómetros e dos que se fecham a sete chaves só para não lhes chegar o cheiro de quem se vagueia pelos corredores do serviço.

Serei a única de complicómetro à flor da pele?  E voltámos à normalidade?

Não, não e não! E não sei se esta normalidade irá existir, num futuro mais próximo, na sua plenitude. Vai sempre existir quem fuja da gente por achar que temos uma "peste anunciada".

 

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