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20
Fev19

Viver a dor da partida da vida

por Mãe Maria

A todos nos toca, um dia das nossas vidas, vivermos a dor que sentem amigos e/ou de outros familiares, quando a morte de entes seus, muito queridos, em especial se estivermos a falar de um pai, mãe, filhos ou filhas, lhes bateu à porta. Penso que é a proximidade de afetos que origina a dureza e dor sentida nessa partida.

Como próximos desse amigo/familiar, aventuramo-nos a consolá-los com palavras, quase clichés, com o intuito de a dor ser menos dor, e de transformarmos as lágrimas em sorrisos.

Embora não estejamos a viver o momento, ou já o vivemos um dia, somos arautos de energia que tenta puxar para cima o que a vida os deitou por terra e temos a certeza de que é assim que se deve estar.

Contudo, dar conforto é uma coisa, darem-nos conforto, muda logo tanta coisa....

Só nos tocando essa dor que vai direta ao coração, se consegue ter a real noção dessa partida e de quão vagas são as palavras que nos oferecem, tão iguais às que já foram nossas. Dissipar esta dor é impossível porque se entrenha e ferra dentro de nós, para sempre.

Com a partida definitiva da carne que nos deu vida, separamo-nos e parte para o além, um pedacinho de nós

Assim coxos, caminharemos nos dias que são ainda nossos, nas veredas que nos ensinaram, até sermos nós a provocarmos essa dor e levarmos um pedacinho daqueles a quem nós demos a nossa carne.

Deriblar a morte é impossível. É a certeza do termos nascido.

 

 


3 comentários

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Luísa de Sousa 20.02.2019

Oh ... emocionou-me este post. Obrigada!
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A Desconhecida 20.02.2019

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