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01
Jul19

Todos queremos

por Mãe Maria

Já estamos num tempo pré eleitoral e à custa disso, as pressões sobre o Estado, em forma de greves, aumentaram.

Todos querem ser satisfeitos, numa tentativa de recuperarem estes dez anos de congelamentos.

Reivindicam-se recuperações de vencimentos, de subsídios, de carreiras, de anos de serviço e de mais sei lá o quê. E mete-se o Estado em Tribunal. Este vai dando aval a tudo e o Estado tem de pagar milhões em cima de milhões.

Parece que, repentinamente, o euro milhões saiu ao Estado e este passou a ter dinheiro para pagar tudo e a todos.

Mas como, se não produzimos riqueza?

Sou funcionária do Estado e contra mim mesma eu falo. Tomara eu que me pagassem o que me retiveram e revolto-me quando o Estado compra coisas como o SIRESP, o velho sistema que nunca funciona, e nunca irá funcionar quando for necessário, não dará lucro, só prejuízo; irrito-me quando sustenta Berard's, chicos espertos que ainda se riem da gente; irrito-me com as falências dos bancos que serão sustentados pelo Estado e cujos banqueiros, já de calos apertados, tornam-se todos uns desmiolados, etc, etc. E muita mais coisa me irrita e haveria para dizer.

O povo, sente-se discriminado,e quase afogado, vem à toa da água reivindicar direitos e direitos e mais direitos..., só se pedem direitos mas nunca se questionam deveres e obrigações. Lá está, é a velha máxima, se os outros comem tudo, porque não hei-de comer também???

Ainda há pouco falava com os colegas e eu dizia que o Estado, que se diz laico, deveria acabar com todos os feriados religiosos. Ficaram todos escandalizados. Não, isso é que não. Ora essa...

Então, eu questionei-lhes se eram religiosos, e logo a resposta foi não, mas que há gente que o é. Pois, ripostei eu, e as outras relgiões não estão a ser discriminadas? Ah, pois, coisa e tal, não, porque são minorias, e blá, bla´...

Pois é, sempre o mesmo blá, blá, blá..."sou ateu mas quero gozar o dia de Nossa Senhora da Assunção, que nem sei o que é". E com sorte, se for um dia de sol escaldante, é um bom dia para ir à praia, ou as férias começarem um diazito mais cedo.

É sempre assim. Para beneficio próprio há sempre um direito que se encaixa na perfeição.

Sugeri, posteriormente, que o Estado para compensação, e não me caírem, de novo, em cima do pelo, aumentaria os dias de férias, em mais cinco dias. Assim, cada um faria dos dias o que lhe conviesse melhor, quer fosse para irem à praia, ao estranjeiro, ficar em casa ou para festejarem o Natal. Tiravam um dia de férias, e ponto final.

Pronto, assim era uma boa medida, que estava muito bem pensado, e a cara era já feita sorrisos. De repente transformei-me numa boa politica com uma ideia excelente. Num minuto, passei de besta a bestial, ah, pois é. Dei-lhes direitos e tudo se resolveu.

O Estado abriu a caixa de Pandora dando aos juízes benefícios quando eles já são grandes beneficiários. Agora a caixa vai ter de continuar aberta e lançar euros, se não as eleições deles ficam em risco. Vamos ver o que daqui resulta. A meu ver, a Senhora Troika que já se foi embora há um tempo, não tarde em ter de fazer, de novo, as malas e vir instalar-se mais uns anos por aqui, para nos obrigar a apertar de novo o cinto.

 

 


2 comentários

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Luísa de Sousa 01.07.2019

À beira das eleições tudo se reivindica, é um absurdo este salve-se quem puder!
Tens todas a razão, só olhamos para o nosso umbigo, queremos direitos e mais direitos e esquecemos que tem de haver um equilíbrio entre direitos e deveres!
Gostei muito do teu post!
Feliz Dia!
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Mãe Maria 02.07.2019

Acho que se está a tornar num caso grave da sociedade portuguesa. Não sei o que se passa nos restantes países, mas calculo que haja semelhanças nestes tiques. Sinais de modernidade que acabam por ser, sinais de apodrecimento do sistema.

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