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19
Jan19

Quem vê caras não vê corações

por Mãe Maria

"Quem vê caras não vê corações"! Não sou eu que o digo mas este ditado já é muito antigo e tão verdadeiro, como vos vou contar:

No ginásio conheci uma colega do trabalho com a qual comunico, apenas, nas horas em partilhamos este gosto pelo exercício físico e pela corrida, embora ela mais do que eu, bem como o de caminhar pela natureza. E foi este gosto que me levou à sua amizade via face.

Por lá, gosto de ver o que ela publica, pois espalha centenas de fotos cheia de sorrisos de orelha a orelha, nas multiplas caminhadas que faz em grupo e também, das corridas em que ela participa.

Uma vez, esta colega apareceu-me no ginásio abatida, mais magra, tendo-me levado a conversar com ela, ajudando-a a desabafar. Pois bem, sofre de solidão e de falta de um amor maior. Uma depressão escondida atrás daquela euforia das fotos do face. Interiormente vive o oposto do que a página espelha

De facto, quando comentei com o meu marido sobre a ocupação do tempo desta minha colega, sempre em caminhadas, com muitos amigos, muitas fotos, lugares giros, muitas corridas, muitos pódios, muitas medalhas, enfim, quase a fazer inveja à minha falta de tempo para viver, assim, tão folgada e acompanhada, disse-me ele: parece-me que esconde alguma coisa pois nem sempre parece o que é!! Nem mais. Na muche. Afinal, por detrás de tanta passeata e euforia há uma tristeza profunda e uma solidão gigante. O que ela queria era um companheiro, estar em casa, aconchegada e amada.

Fiquei perplexa e incrédula perante esta dualidade de vida.

A par deste caso, uma outra colega, tinha o marido há quase dois anos a lutar contra um carcinoma. Sempre que nos encontrávamos falávamos do assunto, ficando eu triste pela situação horrível que ela passava, tal como todos os familiares passam quando têm familiares, próximos, nesse estado, tão doentes. Sempre achei que ela era uma moça feliz, num casamento feliz e ela nunca mostrou o contrário.

Esta semana o senhor faleceu. Eu fiquei abalada pois punha-me no lugar dela, mas ao mesmo tempo, achei que seria um alívio pois o desgaste da colega já era grande. Comentava eu esta situação com uma outra colega quando esta me contou que esse marido, no tempo em que ele estava bom de saúde, era muito mau para ela, em especial quando bebia. Para fugir um pouco a essa situação e recarregar baterias, a colega, depois de sair do serviço, nunca ia direta para casa. Ia sentar-se uma meia hora frente ao Tejo, em Belém, respirar fundo, e mentalizar-se para o seu possível tormento diário.

Fiquei perplexa e incrédula, mais uma vez, por ainda achar que o que se mostra é o que se é.

Santa ingenuidade a minha e nem a idade me acorda para a vida!  De facto "quem vê caras não vê corações!"

 


2 comentários

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A Desconhecida 19.01.2019

É mesmo.. Quem vê caras não vê corações.. Dentro de 4 paredes nunca sabemos o que se passa realmente com as pessoas
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Luísa de Sousa 19.01.2019

Tão verdade, este post. Existem muitas situações no dia-a-dia das pessoas, que não conseguimos imaginar com conseguem disfarçar, ultrapassar, dar a volta, etc.
Serve para darmos valor à nossa vida, que por vezes achamos ser insonsa!!!

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