Lisboa para Inglês ver
Maria Castanha
Estou preocupada com Lisboa.
As mudanças do Sr. Medina estão a condicionar a fluência do trânsito na cidade e, para quem decidiu viver e nela investiu, bem como comprou um carro para facilitar os seus movimentos internos e externos à cidade, vai ver chegar o dia em que não vai conseguir arranjar um lugar para estacionar a sua carroça.
Querem uma Lisboa moderna para Inglês ver, mas para Português afugentar, complicar-lhe a vida e torná-la num inferno.
Há obras que podem estar bonitas à vista mas só facilitam o entupimento do trânsito.
As ciclovias crescem como cogumelos. Os passeios largos e espaços para esplanadas crescem como silvas; as vias de sentido único são a excelência deste Senhor Presidente. Quando há uma ambulância, não há fuga possível. O caos que estava já instalado, nem este consegue piorar o seu estado. Não há uma única hipótese de se fazerem desvios e deixar a ambulância seguir a sua marcha de urgência. Só se esta colocar uma hélice e conseguir levantar voo.
Lisboa é a cidade das sete colinas. Uma cidade de muitas subidas e consequentemente muitas descidas. É uma cidade entupida por natureza. Não há um serviço de transportes que garantam a mobilidade fluente das pessoas. Não há parques de borla suficientes às entradas da cidade para as pessoas deixarem os carros e terem a rede de transportes preparada para trazerem as pessoas para o centro da cidade e nela circularem com alguma fluidez e facilidade.
O Sr. Medina quer tirar os carros da cidade. Diminuir a poluição. Criar espaços de circulação menos poluentes. Colocar as pessoas em movimento pedonal. Pois bem, são teorias giras mas para se implementarem numa cidade que à partida tem o mínimo de condições para tal.
Não me parece que Lisboa tenha essas condições. Os resultados estão à vista. Entupimentos constantes, ciclovias vazias e passeios largos mas ocupados com as mesas e cadeiras dos cafés e restaurantes, que dão lucram à autarquia. A passagem dos peões por estes espaços chega até a ficar complicada.
Preocupado com estas obras megalómanas mas que darão, com certeza, lucro a alguém, o Sr. Medida cospe para o ar e gasta o dinheiro nelas e fecha os olhos aos reais problemas da cidade: a resolução urgente de tirar da rua os sem-abrigo acampados aos molhos pela cidade, nos jardins, ocupando passeios mesmo à porta de casa de quem na cidade habita, sendo um problema com tendência a agravar com o desemprego a subir devido à pandemia instalada; passando pela da lixeira cada vez mais crescente pelas ruas, dos buracos nos passeios, etc, etc.
Querem uma cidade verde e turística mas com tanto miserabilismo instalado e com a vida feito inferno para quem cá resolve fazer vida. É esta a Lisboa do futuro?
