Haja esperança
Maria Castanha
Os dias continuam a passar e já vamos no mês sete e o vírus continua a atormentar os nossos dias.
Não aproveitei o sol e sabores da páscoa de que gosto muito a Norte; não vi passar a primavera; e o verão está cada vez mais infetado.
Vão chegar as castanhas assadas e não vou dar por elas. E finalmente, vai chegar o natal sem qualquer azáfama. Para mim, tanto me faz que do Natal, já lhe perdi a graça faz muito tempo.
O vírus passeia-se, nós não o vemos e se não fossem as estatísticas diárias invadirem os nossos lares, quase não acreditávamos que ele existe. Ele está de cal e pedra na calçada a atormentar o mundo, quer seja pobre ou rico, preto ou branco, tanto-lhe faz.
Definitivamente, 2020 é para esquecer. Não lhe consigo pegar um rumo que bata certo. Já me trouxe o sabor amargo da morte do pai; os aborrecimentos suficientes que uma multa envolvem, desde pagar elevada quantia como ter de ficar inibida de conduzir; o confinamento que me levou a alegria da alma; agora recebi a notícia do volte face na minha carreira profissional que parecia, finalmente, ter encarrilhado; e ver daqui a dias, a partida para o estrangeiro das sobrinhas, a mais velha e a minha pequenina, que me traziam um certo alento.
O meu equilíbrio emocional, faz-se agora com a ajuda de uns comprimidos à mistura, que sem eles já não há forças suficientes para combater tanto embate. Vou ter de reinventar muito para vencer tanta batalha negativa.
Com vírus ou sem ele, há que viver de cabeça levantada. Haja imaginação e força nas canelas que a moral se irá erguer do pó das cinzas e voltar a iluminar as veredas da vida.
Desejem-me sorte, que para vocês, eu vos desejo as maiores do mundo mesmo estando a minha espalhada pelas ruas da amargura. Haja esperança, que tudo se há-de resolver.
