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4 sapos

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12
Ago19

Há pouco sol mas há verde na paisagem


Mãe Maria

DeIMG_20190811_162158__01.jpg passagem por terras portuguesas, entre o norte e o sul deste país, aliado à facilidade de ter máquina fotográfica inserida no telemóvel, coisa banal nos dias que correm, não resisti  a ir clicando, na ânsia de conseguir uma imagem que transmitisse o que eu ia observando.

Foi desta forma que eu, ontem, consegui me distrair, para não sentir o peso das horas que, inevitavelmente, a distância me oferece, além o de conseguir me abster das conversas cruzadas, saindo de vozes esguiçadas, do cheiro do apetite dos outros, da vontade de me pirar dali o mais rápido que pudesse.

Descontando os meros minutos que dormito, sempre agarrada ao medo de me sair um ronco e de me deixar envergonhada, aos que consigo me manter a ler as páginas do livro que carrego, não consigo evitar as cinco horas obrigatórias que tenho pela frente e que me desalinham. As curvas e contra curvas nem sempre me permitem fixar as letras sem me deixarem nauseada, como se me passeasse num barco ao sabor ondolante das águas que percorre. Não posso, por isso, dar-me ao luxo de ler as páginas que, de outra forma, o tempo não me dá tempo para elas.

A falta de rede em em certas zonas do percurso, não me permite navegar, à vontade,  sem ter de estar longos segundos a olhar feita lorpa, para um écran luminoso, à espera de um refresh de notícias, que depois de lidas, sabem mais a uma realidade virtual frágil, vaidosa, e quiçá, mentirosa.

IMG_20190811_162123__01.jpg

Ontem, em todo o percurso, o céu permaneceu nublado, umas vezes carregado de cinza escuro, outras de um branco pintalgado a cinza mais claro.

Não vislumbrei aquele azul do céu de agosto, cheio de bafo quente, e de transpiração alojada nos sovacos, ou em rostos a escorrerem uma água pingada, meio salina.

Nuvens, nuvens e nuvens, escondendo o raiar feroz do sol que se espera sempre quente, muito quente nesta época do ano.

Contudo, se o sol não desponta forte, não se perde o verde da paisagem.

E deu para sentir a beleza da renovação da natureza, numa incontrolável vontade de colmatar cada recanto negro deixado pelo fogo do verão passado.

Os ribeiros corriam alegres, mais cheios e gordos. E não  se vislumbrou fumo, fuligIMG_20190811_163125__01.jpgem e secura.

Os campos estavam vivos, semeados, e o repouso dos habitantes, nas esplanadas e recantos das aldeias, era notório.

E por momentos, apeteceu-me pegar no carro, e ir calcorrear o interior destas paisagens portuguesas, que estão sempre lá, mas que hoje são exploradas e inseridas em roteiros turísticos, dando vida ao interior.

Se por um lado foi bom, por outro, ao serem demasiado procuradas, percorridas, aproveitadas e exploradas até ao tutano, há o perigo do desleixe humano que deixa lixo onde não deve, que destrói sem se quer reparar que se destrói a si mesmo.

Em cada esquina, um passadiço de alguns quilómetros, uma moda, eu sei, mas levam-nos a recantos outrora desconhecidos, a cascatas solitárias, a riachos a morrerem de silêncio. E são percursos longos, de quilómetros suficientes para nos fazerem sentir um cansaço no corpo e um libertar da alma.

Há património renovado, há praias fluviais protegidas, há vida, há tanto verde à nosa espera, porquê chorarmo-nos com a falta de sol quente que nos empurra para a areia fervente e lotada da praia?

IMG_20190811_180008.jpg

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