Há ainda algum humor
Maria Castanha

Prolonga-se, no tempo, um compasso de espera de um fim que se deseja mas, sem qualquer fim à vista. A meada adensa-se e os nós ficam difíceis de se desapertarem.
Quantas vidas já mudaram e quantas mais se vão virar do avesso.
Creio que ainda não estou, nem de longe nem de perto, de uma reviravolta de 360 graus, mas sinto que já rodei uns 90 graus e que a roda continua a girar em direção dos 180, não querendo, teimosamente, regressar à posição de repouso.
Seis meses já passaram de um ano que nasceu cheio de ingredientes sumarentos que o tornariam, talvez, mais positivo do que negativo. O impensável surgiu tão de mansinho, tornando-o em dias calamitosos para o mundo inteiro, atingindo ricos e pobres, pretos e brancos. Os seus dias são feitos de números e equações sem solução conhecida.
Se, em março, tentei levar os acontecimentos para a brincadeira, rapidamente fui atingida no âmago de mim mesma, e a superação ainda hoje não a conheço, nem tem corpo nem forma.
O caminho faz-se sobre uma corda bamba, pé ante pé, sem programar horas, muito menos dias da vida.
Hoje nasceu azul, amanhã poderá ter o sabor amargo.
Se sempre foi assim, porque a vida é imprevista, muito mais o é quando se vive uma guerra, sendo esta contra um inimigo invisível.
A imagem que vos mostro é um pouco reveladora de que ainda sobra algum humor no mundo. Precisamos dele para respirar e sorrir, mesmo que sejam sorrisos solitários escondidos por de trás de máscaras que os impedem de ver a luz do dia.
