E é amar-te, assim...
Maria Castanha

Passar em Vila Viçosa é passar pelo interior da Florbela Espanca e trazer connosco a alma desta Vila portuguesa do nosso Alentejo, gravada na casa onde a poetisa nasceu. Não poderia ser de outra forma.
Amar perdidamente esta poesia carregada de sentimento e tristeza, é quase ser um pouco de mim. Como queria escrever, assim, construir este oceano de palavras a descreverem-me a alma e o sentir que mora em mim.
Por não saber ser poetisa deixo a poesia ser soneto, ser poema, ser a voz do Poeta, a nossa poetisa Florbela Espanca, que Luís Represas tão bem a soube vestir de notas musicais:
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
In Sonetos
