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No meu tempo, naquele em que era ainda uma garota jovem e cheia de genica, em que ainda acreditava que os políticos politicavam sempre para o bem, que eram uma ancora para a nossa vida, que nos construiam uma sociedade de esperança, que o que eles gritavam nas campanhas eram verdades.

Pois bem minha gente. Imbuída nesta minha ingénua crença, acompanhava campanhas, em especial, nos últimos dias, onde a azáfama de fazer convencer o indeciso era uma picada de adrenalina. E participava em vendas de produtos laranjas, e exibia bandeiras acompanhadas de gritos de siglas partidárias em jeito de frases feitas com alguma imaginação e, em cima da caixa aberta da camioneta do pai, percorríamos em fileira de outros carros, dezenas de quilometros que se lançavam à estrada, cantando até a voz doer "Paz, Pão, Povo em Liberdade, todos sempre unidos no caminho da verdade..", com um só pensamento, o de que, após as eleições, a vida mudaria para melhor.

Reparo que, no meu tempo, as campanhas eram feitas com muita gente apinhada, que enchiam campos de jogos, gritando, cantando, convictas até aos ossos de um mesmo ideal.

Hoje, porém, até um cego vê que, esses campos ou salões de festas, já não se enchem de gente apinhada mas de mesas e cadeiras, com gente sentada a encher o bucho. Só depois do dito bucho cheio e da graganta bem regada, se inflamam discursos já velhos e gastos, não de ideias mas de ataques, originando falsas palmadinhas nas costas aos candidatos, salvas palmas esmorecidas e sorrisos amarelecidos. 

Quando penso naquilo que eu desbravava, até um arrepio me sobe pela espinha, não de excitação mas de completo desalento.

Hoje só tenho descrédito, não só no que acreditei mas, em toda e qualquer ideologia política. Os políticos não passam de uns vendedores de ideologias para encher os próprios bolsos. Nós, o povo, seremos, sempre, meros peões de um jogo, recebendo as migalhas que sobram dos seus bolsos cheios.



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