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11
Mar19

Avós ontem, avós hoje

por Mãe Maria

As avós eram aquelas senhoras velhinhas, que tinhamos que dar um beijo com o maior respeito do mundo e tratá-las com toda a cerimónia e cuidado extremo.

Estas avós vestiam-se de cores escuras, de saias compridas e usavam calçado de saltos baixinhos. Raras eram as que se atreviam a usar roupas de cores mais alegres, de pintar as unhas e usar baton de cor vermelha, quase desafiando o mundo.

Elas encontravam-se na igreja, na hora do terço, no coro ou no final da missa. As viuvas vestiam-se de preto, dos pés à cabeça, muitas delas, o resto da vida. Trocavam mágoas no cemitério, aos pés da campa florida do companheiro de uma vida. As mais modernas encontravam-se para tomarem um chá e comerem um bolo de arroz, fresquinho, no café mais conhecido da zona habitacional, num quase atrevimento e desafio à sociedade de então.

Viviam, quase em exclusivo, para os netos, faziam rendas e malhas para eles, e a independência limitava-se à dependencia dos filhos e netos. Alimentavam a dor e esperavam o dia do julgamento final, com uma aceitação religiosa, impressionante. A reforma era para poupar para os filhos e gastavam o minimo possível e necessário. Raras eram que terminavam os dias numa casa de pessoas idosas. Havia, quase sempre, espaço em casa de um dos filhos, para as avós ficarem nessa qualidade de dependente.

Hoje as avós, vestem-se de cores alegres, não descuram a moda, usam saias curtas, saltos a desafiarem a gravidade e calças a realçar as curvas, as novas ou as que conseguiram manter da juventude. Raras são as que não assistem a concertos em estádios cheios de vida e musica aos gritos, desafinando e cantando as canções da suas juventudes.

Elas encontram-se nos cafés, nos bares e em esplanadas para tomarem caipirinhas, cervejinhas e comerem uns petiscos até ser noite. Juntam-se em jantares de amigas, onde a moda tem o seu ponto alto, de modo a realçarem, não a idade avançada mas a idade poupada. Não se descuidam com o tempo, viajando para conhecerem o mundo.

Praticam desporto, vão ao "spa", usam e abusam de tudo que possa disfarçar as marcas da vida. Não fazem questão de esquecerem a juventude. Fazem questão de disfarçar o passado. Estas avós não dependem dos filhos e netos, dependem de si mesmas. Não alimentam as dores e só lhes pegam quando a sorte se vai. Até lá, vivem a plenitude da vida. A reforma é usada para alimentar o ego, mas há uma parte que vai para as poupanças, que um dia, há um destino chamado "lar de idosos ou casa de repouso".

 

 


6 comentários

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omeumaiorsonho 11.03.2019

Adorei este texto, mesmo bem escrito!
Parabéns!
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Maribel Maia 11.03.2019

Tão bom esta fase da vida!!!!!
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Marta Elle 11.03.2019

Não tinha pensado nisso, mas tens razão, as avós mudaram e para melhor. Parece-me bem que vistam cores alegres e que aproveitem a vida.
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Nós só envelhecemos se a cabeça o permitir!
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Luísa de Sousa 11.03.2019

Que lindo texto, sou uma avó assim moderna, blogger, vaidosa, independente, sonhadora, que acha que ainda tem muito para viver!!!!
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maiordesessenta 13.03.2019

Um belo texto!
Eu acho que sou uma avó moderna , tirando a parte do desporto e dos saltos altos!
Mas visto-me de cor-de-rosa e de todas as cores do arco-íris...E quero ver os meus dias assim coloridos!
Mena

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