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4 sapos

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

4 sapos

05
Ago19

A minha sogra é dose


Mãe Maria

Pergunto-me a mim mesma, quase de minuto a minuto, desde o sábado findo, porque insisto em querer mudar o pensamento de uma sogra, filha e neta única, mimada, teimosa, com a mania que as certezas dela são as corretas?

Pois bem, lá me envolvi em mais uma discussão que me deixou, no final, com amargo na boca: aborreci o marido que não é a favor de confrontos, pois deixa para cada um o que cada um quer, e ainda saí de casa da sogra com receio de poder vir a dar-lhe a travadinha, e não era essa, de todo, a minha intenção.

Claro está que depois de tanta conversa, caiu tudo em saco roto, gastei latim, não entendeu mais de metade do que eu disse, e não a fiz mudar de atitude, nem de pensamento.

Umas horas mais tarde, de consciência pesada, porque um grilo falante atrás da orelha me fala, liguei-lhe a pedir desculpa por tanta invasão ao seu pensamento, e a saber se se encontrava bem.

Um alívio, porque embora seja sogra, e não sendo a melhor que se pretende, não quero mal algum a ela. O o pacote vinha com um marido excelente, mas com sogros e cunhada duvidosos. Sei que não se pode ter tudo na vida, e se calhar eles pensarão o mesmo de mim, eh, eh.

Da minha parte, só queria mesmo ajudar perante as suas constantes queixas de solidão e de dores, umas físicas e muito limitativas, outras psicológicas, que estão a leva-la a uma solidão mais funda que a de um poço bem fundo e escuro.

Perante tanta inação em querer resolver eficaz e racionalmente os problemas de saúde, fica-se de pés e mãos amarrados. Eu acho que se não somos nós a remar contra a maré, a gente afunda-se no lamento que não constrói, só destrói e levanta penas desnecessárias.

Entendem-me?

Bom, mas isto, dirão alguns de vocês, é a minha versão da história. Haverá outras, a do lado dela, pelo menos. As duas juntas serão um problema, que achado um meio termo, poder-se-ia atingir um ponto de rebuçado. Só que não vislumbro a possibilidade de um consenço, de uma solução medianamente ideal porque a capacidade da minha sogra para se defender das minhas propostas é de ir à lágrimas, pois é feita de frases que me atira à cara, que só atulham o pensamento e impedem a ação. Aqui vos deixo as mais recorrentes:

- "Não se esqueça que já tenho 78 anos...";

- "Quando você tiver a  minha idade...",

- "Deus queira que não tenha o mesmo que eu";

- "Vou ao cemitério porque tenho lá a minha mãe (falecida há 20 anos, haja paciência), e agora o meu marido (daqui a pouco faz dois anos, acrescento eu)";

- "Só Deus sabe a dor que tenho no meu peito por os não ter aqui comigo" (pois se rega diariamente esta dor com lágrimas, fica dificil amainá-la, penso eu de que!);

- "Não posso que a minha reforma é pouca" (e o dinheiro atulhado no banco??, digo eu. Se é para uma emergência, como ela me diz, estes problemas não serão emergências, ora bolas?);

Razão tem o marido, é ouvir e deixar viver como ela quer.

E vê-la assim, pergunto eu agora, não é mau??? Pois para mim é, mas vou ter de aguentar a lamúria e dizer sempre que sim com a cabeça, tipo aqueles cães que se vendem nas feiras populares que estão sempre a abanar a cabeça.  Na nossa visita e conversa semanal, vou ter de ir dizendo, "pois, que chato", e "coitada de si!", etc, que parece que são pequenas frases que lhe aliviam a alma. Vou ter de conseguir tolerar as palavras que ela vai discursando e que vão torrando o meu pensamento e a do filho; vou ter de fazer de conta que tudo não passa de uma história de vizinhos que nunca os vi nem mais gordos, nem mais novos e que agora estão velhotes.

Isto não é cinismo? Cheira-me a que sim e fica difícil sê-lo.. Mas terá de ser assim. Não posso é deixar o sofrimento real da senhora, afetar o meu bem estar. Tenho de terminar a visita a sua casa,  com um ar de pena, dizer tXau e bye, bye, como se houvesse chatices, e o caldo fica perfeito e saboroso, sem colher de pau a desfazer a couve tronchuda.

Ela continuará no seu marasmo, com o seu manto de lamento, que é parte da sua solução. Nada mais pode haver, pois o caso só se resolve à maneira que ela quer.

A minha sogra não é a minha mãe, e no meu caso é sogra de papel escrito, que por Deus foi abençoado, porque o casamento teve um padre, até bastante querido, a rezar as suas orações, e benzer as alianças.

Que assim seja, Amém!!

2 comentários

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    Mãe Maria 06.08.2019 10:30

    Pois, confesso que gostava que fosse assim. Mas, cada um com seu feitio. Nada a fazer.
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