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05
Ago19

A minha sogra é dose

por Mãe Maria

Pergunto-me a mim mesma, quase de minuto a minuto, desde o sábado findo, porque insisto em querer mudar o pensamento de uma sogra, filha e neta única, mimada, teimosa, com a mania que as certezas dela são as corretas?

Pois bem, lá me envolvi em mais uma discussão que me deixou, no final, com amargo na boca: aborreci o marido que não é a favor de confrontos, pois deixa para cada um o que cada um quer, e ainda saí de casa da sogra com receio de poder vir a dar-lhe a travadinha, e não era essa, de todo, a minha intenção.

Claro está que depois de tanta conversa, caiu tudo em saco roto, gastei latim, não entendeu mais de metade do que eu disse, e não a fiz mudar de atitude, nem de pensamento.

Umas horas mais tarde, de consciência pesada, porque um grilo falante atrás da orelha me fala, liguei-lhe a pedir desculpa por tanta invasão ao seu pensamento, e a saber se se encontrava bem.

Um alívio, porque embora seja sogra, e não sendo a melhor que se pretende, não quero mal algum a ela. O o pacote vinha com um marido excelente, mas com sogros e cunhada duvidosos. Sei que não se pode ter tudo na vida, e se calhar eles pensarão o mesmo de mim, eh, eh.

Da minha parte, só queria mesmo ajudar perante as suas constantes queixas de solidão e de dores, umas físicas e muito limitativas, outras psicológicas, que estão a leva-la a uma solidão mais funda que a de um poço bem fundo e escuro.

Perante tanta inação em querer resolver eficaz e racionalmente os problemas de saúde, fica-se de pés e mãos amarrados. Eu acho que se não somos nós a remar contra a maré, a gente afunda-se no lamento que não constrói, só destrói e levanta penas desnecessárias.

Entendem-me?

Bom, mas isto, dirão alguns de vocês, é a minha versão da história. Haverá outras, a do lado dela, pelo menos. As duas juntas serão um problema, que achado um meio termo, poder-se-ia atingir um ponto de rebuçado. Só que não vislumbro a possibilidade de um consenço, de uma solução medianamente ideal porque a capacidade da minha sogra para se defender das minhas propostas é de ir à lágrimas, pois é feita de frases que me atira à cara, que só atulham o pensamento e impedem a ação. Aqui vos deixo as mais recorrentes:

- "Não se esqueça que já tenho 78 anos...";

- "Quando você tiver a  minha idade...",

- "Deus queira que não tenha o mesmo que eu";

- "Vou ao cemitério porque tenho lá a minha mãe (falecida há 20 anos, haja paciência), e agora o meu marido (daqui a pouco faz dois anos, acrescento eu)";

- "Só Deus sabe a dor que tenho no meu peito por os não ter aqui comigo" (pois se rega diariamente esta dor com lágrimas, fica dificil amainá-la, penso eu de que!);

- "Não posso que a minha reforma é pouca" (e o dinheiro atulhado no banco??, digo eu. Se é para uma emergência, como ela me diz, estes problemas não serão emergências, ora bolas?);

Razão tem o marido, é ouvir e deixar viver como ela quer.

E vê-la assim, pergunto eu agora, não é mau??? Pois para mim é, mas vou ter de aguentar a lamúria e dizer sempre que sim com a cabeça, tipo aqueles cães que se vendem nas feiras populares que estão sempre a abanar a cabeça.  Na nossa visita e conversa semanal, vou ter de ir dizendo, "pois, que chato", e "coitada de si!", etc, que parece que são pequenas frases que lhe aliviam a alma. Vou ter de conseguir tolerar as palavras que ela vai discursando e que vão torrando o meu pensamento e a do filho; vou ter de fazer de conta que tudo não passa de uma história de vizinhos que nunca os vi nem mais gordos, nem mais novos e que agora estão velhotes.

Isto não é cinismo? Cheira-me a que sim e fica difícil sê-lo.. Mas terá de ser assim. Não posso é deixar o sofrimento real da senhora, afetar o meu bem estar. Tenho de terminar a visita a sua casa,  com um ar de pena, dizer tXau e bye, bye, como se houvesse chatices, e o caldo fica perfeito e saboroso, sem colher de pau a desfazer a couve tronchuda.

Ela continuará no seu marasmo, com o seu manto de lamento, que é parte da sua solução. Nada mais pode haver, pois o caso só se resolve à maneira que ela quer.

A minha sogra não é a minha mãe, e no meu caso é sogra de papel escrito, que por Deus foi abençoado, porque o casamento teve um padre, até bastante querido, a rezar as suas orações, e benzer as alianças.

Que assim seja, Amém!!


12 comentários

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Luísa de Sousa 05.08.2019

Oh ... Maria, a ta sogra era igualzinha à minha!!!
Eu desvalorizava tudinho, aprendi a lidar com ela anetes que a minha saúde mental fosse pelos ares!!!
O teu marido tem razão .... deixa andar!!!!
Não é fácil, mas pensa que não vives com ela, só vais de visita, logo, deixa-a lamentar-se e picar os miolos.
Faz o difícil exercício de não ligar!!!
Beijinhos
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Mãe Maria 06.08.2019

É-me difícil agir como uma visita desprendida pois é contra o meu feitio. Afinal é família, mãe do marido. Mas não há muito a fazer, sob pena de me desgastar.
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Marta Elle 05.08.2019

Isso é que é azar !
Tenho muita sorte com os meus sogros a quem vejo como uns pais.
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Mãe Maria 06.08.2019

Pois, confesso que gostava que fosse assim. Mas, cada um com seu feitio. Nada a fazer.
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Maria 06.08.2019

Deve ser mal geral! Com a minha a incompatibilidade era tal que limitava-me a cumprimentar à entrada e despedir- me à saída.

Aliás a Sra sempre fez saber que não gostava de mim, e como amor com amor se paga.. ..:)

Em contrapartida o sogro era o meu grande defensor.

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Mãe Maria 07.08.2019

A minha sogra diz que gosta de mim mas admite que tenho mau feitio. Eu tb acho que tenho, mas a favor meu, nunca lhe virei costas nem quando ela menos me parece merecer atenção.
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Maria 07.08.2019

A minha conheceu- me no dia do casamento porque parecia mal não ir.

Ela, sempre me viu como uma intrusa.
Referia-se a mim como a outra. Quem ouvisse até devia achar que seria a 2 mulher do filho dela. mas n sou.
Enfim... Nunca me incomodei com as atitudes dela.
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Mãe Maria 08.08.2019

eh, eh, estás bem pior que eu. Sogra dura!! beijinhos.
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Alguém 06.08.2019

Como eu entendo, eu detesto ir a casa da minha, ter de ouvir as lamurias dela, mas lá tem de ser... Eu ignoro tudo o que ela diz, tenha ou não razão, por vezes nem sei do que está a falar, e faço aquilo que mais detesto quando estou com outras pessoas, que é pegar no telemóvel, e estar ali a mexer, mas com ela não consigo evitar (se o filho também faz o mesmo), pois as vezes só me apetece mandá-la calar e dizer-lhe que vá a um psicólogo, ou saia de casa, não se queixe tanto e faça pela vida, em vez de andar a passear pelo youtube a ver vídeos da treta, e publica-los no facebook, e ficar chateada porque nem eu nem o filho nem o marido fazemos like no que ela publica.E ficar chateada, porque ninguém lhe liga, mas quando as pessoas que ela critica por não lhe ligarem, se lhe ligam ela não atende, porque não lhe ligaram quando ela quis. Mas se não lhe atendermos a chamada por não podermos, não queremos nada com ela.
Desculpe o testamento
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Mãe Maria 07.08.2019

eh, eh., não é testamento. Só não identifico a sua com a minha pq não é tão moderna nisso dos facebooks e afins. Até a televisão, é só os canais mínimos e por vezes nem a liga porque se cansa de ser sempre a mesma coisa. Assim, tem mais tempo para olhar para o infinito e pensar n atriste vida que leva porque não consegue lutar contra a adversidade própria da vida, nem o admite. é um caso chato, eu acho.
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Anita 07.08.2019

é uma luta contra a maré que nos trás amargos de boca, porque não conseguimos demover o gigante. Como te entendo.
Eles só querem atenção e vivem dos lamentos, o que eu também não entendo... mas é a verdade.
Toma uns comprimidos para relaxar antes de a ires visitar.
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Mãe Maria 07.08.2019

percebo-te...mas continuo a assistir que não está de facto bem. Mas vou ter de fazer que não vejo. também se aprende.

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