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Somos sete irmãos. Unidos ou não, isso agora não vem ao lume, na certeza, porém, que o tacho transbordaria e levantar-se-ia, no ar, um cheiro a queimado.

Somos ou éramos uma familia, considerada, naquele tempo, e muito mais nos dias de hoje, grande. Nove bocas, portanto.

O meu pai, hoje com 93 anos, era o único "braço" trabalhador para sustento da família. A mãe, agora com 89 primaveras, era a grande mulher, que conseguia gerir o parco dinheiro, que o marido lhe dava, de modo a que a comida não faltasse, bem como mais alguns dos outros bens essenciais, como por exemplo, o escolar e médico. Para os presentes de natal, que era, apenas, um brinquedo para cada um, ela ia amealhando ao longo dos meses, para que não viesse a faltar dinheiro, na hora de os comprar.

Portanto, não havendo dinheiro, quase não havia refeições de carne vermelha. Carne de porco e de vaca eram alimentos de gente abastada, sendo pouco vistos à nossa mesa, em especial a de vaca, que quase não tenho memória de a ver por lá.

Em dias de festas, natal e afins, havia cabrito, perú ou porco, e em dias especiais, algum domingo de  festa, lembro-me de costeletas de porco panadas. Ora, estas sim, um petisco, embora e como já vos disse, eram pouco vistas por aquelas bandas.

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Fora isto, não abundavam em casa, refeições confecionadas com carne destes animais.

O que era um bife? Acho que não sabíamos e lembro-me bem, da primeira vez, que tive o privilégio, dado por um tio, numa vinda a Lisboa, já eu tinha uns quinze anos, de comer um bife de vaca.

Se gostei? O que me recordo é que não era um bife tenro, daqueles que se mastigam facilmente. Coisa que apenas sei, nos dias de hoje. No passado, não tinha termo de comparação de modo a aferir a qualidade do bife apresentado. Talvez tenha pensado que era mesmo assim: uma carne difícil de mastigar. E não fiquei fã. Ainda hoje dispenso carne vermelha, em bife ou seja lá em que for.

Quanto ao leite, bebíamos um, que umas senhoras, vindas das aldeias e munidas com umas vasilhas de latão, transportado à cabeça, distribuíam, diariamente, de casa em casa, na cidade.

Era um leite que precisava ser fervido, formando-se, depois, uma espessa camada de nata, umas manchas de gordura amarela e tinha um sabor intensíssimo a leite. Bom para a saúde, dizia-se, e ninguém morreu, porém, eu abominava. Era um choro diário, que só assistido. E umas boas palmadas da mãe que levei no toutiço.

Se acabarem com as vaquinhas, a mim, não me vão deixar saudades. Cresci sem comer carne vermelha, e volto a dispensar este ingrediente culinário que, dizem, faz mais mal que bem!

No meu tempo, carne de vaca não era para todos! Era um luxo. Só para quem era abastado tinha dinheiro para adquirir esta carne, grande fonte de proteína, de colagénio e do seu leite, fonte de cálcio. Hoje porém, querem acabar com as vacas poluentes do ambiente, e acabar com o luxo para todos.

Se vai ser assi, ou não, aguardemos o que o futuro terá para nos dizer.

(imagem retirada daqui)

 


2 comentários

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imsilva 25.09.2019

Estamos numa confusão geral, o que devemos ou não comer, está a tornar-se um pesadelo. Eu continuo a guiar-me pelo instinto, ajudada pela informação que me vai chegando, e fazendo a devida triagem.
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Mãe Maria 26.09.2019

olá. Acho que temos mesmo de nos ir guiando pelo que achamos que seja melhor para nós. Menos processados, mais comida feita em casa com os ingredientes o mais natural possível.

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