Aldeia de Lodeiro
Maria Castanha
Foi preciso vencer muita curva e contra curva, estrada estreita onde parece não conviverem duas viaturas, e algum piso pouco suave para encontrarmos, quase depois de uma hora, um paraíso perfeito para repousar a mente e relaxar em sossego. Estes últimos e poucos quilómetros que nos faltavam vencer pareceram uma eternidade. Eu já perguntava ao meu co-piloto, quase de minuto a minuto quanto faltava para terminar a aventura.
Valeu a paisagem deslumbrante, a perder de vista, íngreme, de pedras gigantes, diferente das que vemos mais amiúde.
A Aldeia de Lodeiro acabou por surgir. Tínhamos chegado ao nosso destino. Uma placa dizia: estacione aqui e alguém virá buscar as suas malas.
Deixámos o carro e levámos os nossos pertences e descemos uma pequena ladeira que nos levou à porta do hotel. Uma gata fez-nos companhia, sem medo algum dos novos forasteiros.

A Rute recebeu-nos com uma calma, palavra simples e gestos amistosos.
Contou-nos, enquanto nos apresentava o hotel que a aldeia tem apenas dois habitantes: as do hotel e outros que não conhecemos nem vimos.
Só quando entrámos no quarto vivemos a deslumbrante paisagem que o hotel nos prometera. Aliás, esta foi a alavanca motivacional dos herdeiros desse espaço, para transformar neste pequeno hotel rural de quatro estrelas.

Não deu para aproveitarmos as piscinas, uma interior e outra exterior, ou jogar uma partida de tênis.


Optámos por atravessar a quinta, conhecer o espaço e a antiga casa.




Descemos mais um pouco, já fora da quinta e passámos por Boassas e o seu miradouro.

Continuámos a descer até ao rio Bestança para vermos as cascatas, descansarmos as pernas na esplanada e comer um gelado. Era preciso recuperar para voltar a subir até ao hotel, pois o sol já não nos poupava.



Cansados, ficámos sentados na varanda a aguardar a noite cair sobre o vale onde o rio Bestança se encontra com o rio Douro.

O jantar foi servido no hotel, por opção nossa. Na altura soubemos que foi a melhor opção pois o cansaço já tomava conta de nós, aliado ao preço nada excessivo, a qualidade do atendimento, da refeição simples e saborosa, com algum requinte, a meu ver, o mais que suficiente para me sentir em casa.
De manhã o nevoeiro cobria a paisagem, mas rapidamente deixou o sol brilhar.


O pequeno almoço foi servido à mesa porque as circunstâncias assim o exigem.



No regresso o nevoeiro não abrandava e cobria a paisagem de neblina fria lembrando um inverno rigoroso daquelas gentes.
Partimos de coração cheio com vontade de voltar por mais dias a este hotel de nome Arsduriem Douro hotel.
