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4 sapos

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

4 sapos

29
Mai20

O GPS da minha "app" é péssimo


Mãe Maria

IMG_20200529_104339_183.jpgAlgumas das minhas manhãs, ainda cedo, antes de entrar no trabalho, tem sido assim, a correr pelas ruas de Lisboa, aproveitando ainda o sossego da cidade e a frescura da manhã.

O GPS da minha app é péssimo, ou lá o que seja que esteja errado mas nem sempre regista o percurso que faço.

Hoje resolveu registar. Contudo em termos de quilómetros percorridos, não tenho a certeza se são mesmo estes os que fiz, se mais. Isto porque quando faço as meias maratonas ou as corridas de 10 km, em programas de empresas que as organizam onde, penso eu, a quilometragem está bem cronometrada, este meu rrelógio regista sempre uma diferença de quase dois quilómetros a menos. Ou seja, se corro uma meia maratona, esta app e relógio marcam que me faltam correr quase dois quilómetros para terminar. Ora, eu não corro aos ziguezagues nem faço cortes no caminho. O que pressuponho é que a aferição deste relógio é fraquinha.

Mas na verdade pouco interessa esta diferença. Corro, transpiro, e faz-me bem à alma. Chego com outro espírito para as façanhas do dia.

 

20
Mai20

Voltámos à normalidade?


Mãe Maria

A pandemia e o seu confinamento afetou-me, ao fim de um mês. É a pura das verdades. Só quero, neste momento, recuperar a mente para a regular aos meus ritmos normais, se é que existe normalidade em mim.

Fiz de te tudo para manter-me ocupada e assim estive. Não houve monotonia.

Houve sim, limitação de movimentos, não físicos, mas puramente psicológicos.

Saber que a limitação existia e que sair à rua era como caminhar em ponte suspensa, ou dançar sobre corda bamba, atingiu-me que nem cupido é capaz de atingir o coração mais apaixonado.

E está dificil vencer esta prisão sem grades. Sempre vi e respirei a noite e o dia, sempre caminhei sobre as pedras da calçada, sempre num voo livre que na verdade nunca o foi. E, saber destes limites, bate-me no fundo de mim mesmas com tal intensidade que desmorono.

Logo penso nas férias. Para onde? Como gerir esses tão preciosos e ansiados dias de descanso se tudo vai ter de ser complementado com toneladas de vigilância, com pezinhos de lã, de boca tapada, de gel no bolso e lenços de papel a triplicar? Como sentir a liberdade? Como? Pergunto vos eu, porque não consigo senti-la normal. Só saber das suas limitações, logo entro em agonia interna.

E ainda me fundem os neurónios passar pelos acérrimos defensores da desinfeção aguda (que estão no seu pleno direito, isso eu sei), dos que se distânciam de mim um ror de quilómetros e dos que se fecham a sete chaves só para não lhes chegar o cheiro de quem se vagueia pelos corredores do serviço.

Serei a única de complicómetro à flor da pele?  E voltámos à normalidade?

Não, não e não! E não sei se esta normalidade irá existir, num futuro mais próximo, na sua plenitude. Vai sempre existir quem fuja da gente por achar que temos uma "peste anunciada".

 

15
Mai20

Máscaras, o novo acessório


Mãe Maria

A máscara é um acessório utilizado para cobrir o rosto. Sempre se utilizou nos bailes carnavalescos. Quando era garota fazíamos umas de cartão com cara de cão, cavalo, porco, etc. Duravam aquele dia de carnaval e iam para o lixo. Há tribos que ainda as usam. Há representações de cinema ou teatro que fazem uso delas para complemento de personagens.

As de proteção são outra história. Para mim, eram só utilizáveis em termos hospitalares e pouco mais que isso.

Andar, diariamente, de rosto coberto com elas, nunca me passou tal coisa pela cabeça.

A bem da saúde, tem de ser:  Nada mais a falar sobre este assunto.

Mas estou cansada deste acessório por mais líricas que estas possam ser. Porque há quam as faça de rendas, de lantejolas, de tecidos com padrões dos mais coloridos e divertidos, ao preto. Não deixam de ser umas talas que nos amassam o rosto. E reduz-me. E não acho graça nehuma andar assim. E custa-me a respirar. Parece que me falta o ar. Não sou de as usar penduradas nas orelhas a tapar o queixo, ou a deixar o nariz de fora. Ou se usa corretamente, ou então não vale a pena tê-las penduradas.

E que dizem vocês sobre estes novos acessórios?

12
Mai20

Leitura de maio


Mãe Maria

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A ler a História Breve da Humanidade, o livro que me foi  oferecido, no Natal passado, pelo marido. Dizia ele que era para ver se eu começava a gostar mais de História, por ser um livro com uma escrita leve. 

E estou a gostar, bem como a relembrar, o que fomos, de onde viemos, o que nos distingue de outros seres, que caminhos palmilharam os nossos ancestrais que nos levaram aos dias de hoje. É bom compreender as nossas origens para entendermos os nossos trilhos.

08
Mai20

Criança também sofre


Mãe Maria

A minha miúda, a pequenita como eu lhe chamo, a filhota da minha sobrinha, que eu estou morrendo de saudades, anda num virote diário com o telemóvel da mãe, a fazer videochamadas para toda a gente.

Esta resma de pessoa pequena, de cinco anos apenas, está cheia de saudades das pessoas, de lhes falar, de as ver, de ser recebida de braços abertos e de ser mimada.

Ontem falava comigo. Perguntava-me pelos peixinhos. Mostrava-me as habilidades que fazia com o seu cão. E dizia-me que tinhamos de ir à praia. E silênciava suspirando. Sim, a pequerrucha suspirava. E no seu rosto de olhar entristecido tinha a marca do cansaço do confinamento, sobre o qual ela não sabia expressar por palavras. Só suspirando, apenas.

Como a entendo. Habituada a ter a atenção de mais que uma avó, de muitas tias, de uma multidão de primos, faladora, alegre, com uma vida de uma liberdade quase sem limite, este confinamento deve estar a entrar-lhe até à raiz do cabelo.

Criança também sofre.

 

07
Mai20

Tudo será rotina, em breve


Mãe Maria

A rotina ainda não encarrilhou no seu carril automático. Aos poucos as portas vão se abrindo e as asas vão voando em liberdade de movimentos. De cara semi escondida, por obrigação e nunca por devoção, entro assim munida nalgumas lojas que respiram saudade do movimento e do negócio a florescer.

Voltei ao trabalho, dando por fim ao teletrabalho que me confinava a alma.

Voltei às corridas, não no tapete do ginásio, ainda de portas encerradas, mas no asfalto e calçadas das ruas de Lisboa. Estava mais habituada ao controle da máquina mas não tinha a frescura da corrida ao ar livre. Uma vantagem, que tento saborear.

Voltou a tocar o telefone a avisar que a minha pequerucha iria passar por casa. Uma chamada que me deixou de alma lavada embora a preocupação do contacto me tivesse surgido na mente. Não foi uma ideia bem recebida pela filha e marido, o que me fez duplicar os cuidados na receção: máscara, a possível distância, a ausência de colo, de abraços e beijos. Que dor. Que angustia! Parecia-me um cenário surreal.

Voltei a casa da sobrinha e da sua pequena filha. E a distância, os mil cuidados, a falta dos abraços, a leveza das conversas, deixaram-me quase sem norte, um desnorte.

Não há, ainda, contacto humano, sem receios, sem medos.

Não há, ainda, as visitas dos filhos sem ser preciso cautelas.

Não há, ainda, as idas a Norte, que embora por obrigação, cansativas e repetitivas, entraram no livro da saudade.

Não há, ainda, os passeios de movimentos libertos.

Não, ainda, certezas do que quer que seja.

Tudo será rotina, em breve, embora seja um "em breve" sem tempo marcado, pois o relógio da vida tornou-se lento, mais lento do que alguma vez me pareceu.

 

05
Mai20

A sofrer por antecipação


Mãe Maria

IMG_20190822_100721.jpg

A primeira vez que pousei os meus pés numa areia da praia tinha eu, talvez, os meus 8 anos, numa excursão de escola que fomos a Aveiro. Apenas coloquei o pé no chão, com o sapato, pois nem descalço ele estava.

Pus o pé no areal da Figueira da Foz, num passeio do liceu. Foram uns passos descalços pelo grande areal desta praia. É o que me recordo.

Tinha eu 15 ou 16 anos, não me lembro exatamente quando, a minha madrinha convidou-me a passar uns dias na sua casa para lá de Odivelas. Foi a primeira vez que pus o pé na praia munida de chinelo, biquini,  guarda sol e de umas lancheiras com umas maravilhosas sandes que a madrinha nos preparava para passarmos o dia na praia. Foram uns quatro a cinco dias, no máximo, de praia em Carcavelos.

Outra vez, a tia Lourdes convidou-me para ir passar uns dias, uma semana creio eu, em Olhão, na casa de um seu irmão, meu tio, portanto. E foram dias cheios de sol na praia na Ilha da Culatra, com direito a muita patuscada, a um passeio de barco e ao meu primeiro escaldão que devido à febre, me fez perder um dia de pescaria de canivetes ou navalhas e outros bichos enterrados na areia, com o restante pessoal.

Só com a minha vinda para Lisboa estudar, é que passei a ir, em cada verão, à praia de Oeiras ou Carvavelos ou Costa da Caparica, antes de regressar a casa dos pais, para passar os longos meses das férias de verão.

Com o início do namoro, a praia passou a ser a do Rei porque havia a casa dos pais do namorado, hoje marido, ali perto.

Depois do casamento, conseguímos ter algumas férias nas praias do Algarve mas, em 28 anos de casamento, ainda conto com os dedos das mãos as vezes que lá fomos. A praia da Princesa, do Rei e afins, na longa margem sul de Lisboa, conseguiram preencher-nos alguns dos dias das férias de verão quando o Algarve se tornava dispendioso.

Com este virús que nos confinou e confinará os nossos movimentos não sei até quando, creio, não ir este ano, pousar os meus pés na areia, devidamente apetrechada de biquini e toalha, e espaparrar-me a apanhar um sol até mudar de cor. E instalou-se uma confusão na minha cabeça só de pensar neste cenário, para mim, tão desolador.

Embora tenha passado uma juventude quase sem saber o que é passar férias na praia, hoje, apesar do respeito que eu passei a ter com o apanhar excesso de sol, não ir à praia está-me a matar. Sinto falta de sol a tocar-me diretamente na pele.

Aquela liberdade de tirar a roupa e gozar os raios de sol a pintarem-me de castanho mel, da aragem a varrer-me o corpo semi nuo, fazem-me falta.

E já estou a sofrer por antecipação. Eu sei. Mas não vejo uma solução à vista para este ano.

04
Mai20

Voltei às corridas


Mãe Maria

Voltei às corridas. O despertador tocou eram 6:15h. Hesitei. Pensei o possível entre um sono que ainda me toldava os neurónios e o acordar matinal quando o relógio apita. O pensamento disse logo que não. Um primeiro pensamento negativo que logo ataquei com um mais assertivo: tem de ser.

E daí a uns minutos estava de pé no asfalto, munida do essencial para desemperrar as pernas habituadas a mais de quarenta dias de uma ginástica caseira, mas que ainda assim, ajudou a movimentar músculos e a salvar a minha mente.

Encontrei uma Lisboa adormecida, a acordar de um sono leve, com o sol a espreitar por detrás do alto casario. Respirava-se um ar fresco, e curtia-se um silêncio ameno.

Havia algum movimento, maior que nos últimos trinta dias, em especial na estrada com carros a voarem em plenos pulmões, cobrindo parcialmente o cinza da pista. Havia um indício claro que vai ser um dia com mais vida fora das janelas e das quatro paredes do confinamento. Havia lojas que avisavam a abertura das portas dia 4 de maio.

Será um dia de arranque, um renascer ainda incompleto, contudo, um pulsar humano ávido de voltar aos tempos antigos.

O tempo falará, mais adiante, se estamos no caminho certo. Por ora, vamos viver esta liberdade semi libertada.

03
Mai20

Dia da mãe


Mãe Maria

Dia da mãe, pressupostamente será  o  dia destinado a todas as mulheres, que com força e coragem geraram, dentro de si, uma vida. 

IMG_20200403_193616_538.jpg

 

Sou mãe de dois. Contudo não reclamo os festejos deste dia como seja o meu dia de glória. Agradeço as vitória das minhas conquistas, como mãe, espelhadas nas vidas dos meus dois filhos. Sou uma mãe com defeitos e virtudes, obviamente, não fosse eu ser humana e todo o humano tem dias altos e baixos e não nascemos ensinadas. Não há enciclopédia que substitua o nosso instinto materno.

E não reclamo este dia como meu, como atrás o disse, só porque gerei vida. Não estaria a ser justa para aquelas mulheres que por muitos e variados motivos não tiveram este privilégio de sentir uma vida dentro do seu ventre mas que são verdadeiras mães e muitas vezes acima das mães biológicas.

A essas mães eu desejo um feliz dia da mãe.

São mães valentes e de um coração aberto à vida que lhes calhou nos braços.

Outras, são tias que aliviam as dores das mães, estendendo os seus abraços, os seus cuidados, as suas horas, os seus regaços, os seus beijos e conselhos. Mães de coração. Mães cuidadoras. Mães que merecem uma atenção.

Neste dia da mãe desejo um feliz dia da mãe a todas as mulheres cuidadoras dos filhos deste mundo.

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