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4 sapos

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

4 sapos

29
Abr20

Correr em liberdade


Mãe Maria

Voltaremos a correr livremente, sem preocupação pela respiração do outro?

Restam-me as minhas imagens guardadas para me colocar, de novo, à estrada e sonhar com esse cansaço que me dava saúde. 

Este  confimento vai-me matando o fôlego da alma e no lugar do coração nasce um sopro de angústia e preocupação.

Por mais que tente puxar o pensamento para o positivo ele vai-se deixando, lentamente, diluir numa espécie de aguada de tinta branca com o preto a reclamar a sua cor.

Não vejo a hora de me fazer à pista sem qualquer preocupação de invasão viral. 

Até lá, as pernas afrouxam, mesmo dando-lhes algum  equilíbrio físico, quase diário, no meu ginásio improvisado. É o que me resta para me salvar deste imbróglio de confinamento e afastamento social.

27
Abr20

Paragem, ambiente, economia


Mãe Maria

O covid é mau. É sim senhor. Há que mandá-lo às urtigas rapidamente.

Mas o bicho mauzão trouxe uma verdade: a cidade, a Lisboa do turismo excessivo anda tãooooooooooooo limpa, tãoooooooooooo sossegada, tãoooooooooo arrumadinha, tãooooooo sem confusão, tãooooooooooo sem poluição, que quase nem dá para acreditar.

Esta paragem quase mundial foi um bálsamo para o planeta. O mundo, a natureza, o ambiente vão agradecer e todos nós, quando esta onda de dor passar, iremos sentir o benefício desta paragem. O planeta conseguiu recuperar da imensa poluição diária. Respira-se mais ar verde. O buraco de ozono, dizem, até se fechou.

Contudo, num futuro próximo, com o regresso à antiga normalidade, se forem poucas as vozes a lembrar que a natureza precisa de ser pensada,  esta irá voltar a sofrer uma hecatombe e volta-se à estaca zero.

Num tempo com a economia em baixo, na preocupação desenfreada para levantar a economia das cinzas que hoje nos cobrem, não creio que vá existir qualquer prioridade para o ambiente. E será uma pena assistir a um "volte face" ambiental.

Quanto à economia, que é o que nos move, todos sabemos que piorou e que se abriu um buraco de dimensões ainda não calculadas. Piorou a vida para muitos de nós, não há dúvida nisso. Nesta matéria, tão matemática e feita de números e cifrões, se houver força humana e vontade dos líderes mundiais, rapidamente se respirará de alívio e voltará a ser o que era antes, possivelmente mais coxa, diferente, mas com saúde.

A natureza é que não. Se não for olhada e pensada, mergulhará no abismo climático anterior, sempre a piorar. E será uma pena perder este verde, hoje recuperado.

16
Abr20

peixinho "voador"


Mãe Maria

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Quando os meus filhos eram pequenos tive, por várias vezes peixinhos em casa. Mas eles duravam sempre pouco tempo, por mais cuidados que tivesse com as mudas da água, com as refeições deles, etc.

E quando os peixinhos morriam, havia tristeza e choro. Resolvi nunca mais ter animais em casa, fossem eles quais fossem.

Há quase dois anos, para alegrar a nossa garota mais pequena, uma sobrinha neta, amante de animais, resolvi ir com ela comprar este pequeno aquário e com ele vieram três peixinho.

Pois bem, eles têm se mantido vivos este tempo todo, com exceção do peixinho mais bonito que só se aguentou cerca de um ano. A minha filha ficou desolada. A sobrinha neta, espantada.

Subitamente, anteontem, o peixinho laranja, o da primeira imagem, subitamente desapareceu do aquário.

Estávamos a almoçar e a minha filha grita: " O peixinho laranja não está no aquário!".

Da aflição inicial, passando pelo espanto de tal desaparecimento, passámos à procura do bicharoco. Não havia muito onde procurar dentro do espaço deles, mas o que é certo é que ele não estava lá. Pois bem, passámos a procurá-lo no espaço envolvente, primeiro do móvel onde está poisado o aquário e depois no chão, e nada. Eis que numa procura mais extensiva, encontrámo-lo no chão, quase a um metro do local onde se encontra  o móvel do aquário, debaixo de um cadeirão. Ups, como foi possivel?

A minha filha, em desespero e quase a choramingar, verifiquei que respirava e voltámos a colocá-lo na água.

Primeiro, nadava de lado e parecia que só tinha uma barbatana...e a minha rapariga a desesperar...mas as poucos, sem conseguirmos perceber o sucedido, ele foi voltando ao normal e hoje mantém-se enérgico. Contudo, ontem a minha filha telefona-me, numa aflição comum e próprio dela, dizendo que o peixinho laranja estava com um lado do corpo com manchas escuras, sem a sua cor laranja habitual.

Pois, de peixes não entendemos nada. Nem sabemos o que pensar do assunto. Pressupomos, após uma breve análise à situação que sejam hematonas da queda.. É um peixe minúsculo que saltou do aquário, e da queda pode ter resultado hematonas no lado que bateu no chão. E esteve fora de água algum tempo, não sabemos quanto, nem imaginamos o que levou ele a saltar. Pode ter causado algo a falta do oxigénio. Faz sentido?

Ora, pois então, este foi um episódio digno de registo. O suícidio de um peixe por estar confinado num espaço que é pequeno? Ou será que foi porque o outro peixe está sempre atrás dele a dar-lhe tipo empurrões? Ou simplesmente o peixe quis saltar porque é próprio dele e porque a porta estava aberta proporcionando o sucedido?

Ah, pois é. Desta não estávamos à espera. Vamos aguardar quanto tempo ele se irá aguentar. Caso contrário, lá vai a minha rapariga voltar à choraminguices pelo óbito do peixinho "voador".

 

15
Abr20

Malmequeres


Mãe Maria

IMG_20200411_175310__01__01.jpg

Estamos no tempo das flores.

E são sempre bem vindas pela cor, pela alegria que nos transmitem.

Há quem seja alérgica aos seus pólens, eu inclusivé. Coisas que a idade me deu.

Não fujo delas. Gosto sempre de as fotografar.

Esta primavera, estando mais confinada, e porque o tempo em casa é maior, decidi tirar o pó aos pincéis e ir dando cor ao papel.

Vão saindo flores. Com o tempo irei tentar outras aventuras.

Na Páscoa a tentativa reaiu nos malmequeres por serem uma flor pequenina, que gosto muito, em especial os lilases, uma cor pascal e que enchem os jardins, muitos deles a norte, em especial onde nasci.

Como não fui até lá, transportei-os para o papel.

Não foi fácil. Mas gostei do resultado que vos partilho.

Bom dia para todos.

 

 

14
Abr20

Bom dia


Mãe Maria

Correr 47 minutos, na minha sala, à volta da mesa, mudando de direção vezes sem conta para não ficar tonta, é dose. Mas é assim que tem de ser.

Só me apetece ir para o ginásio, mas está fechado. E ir para a rua, também tenho vontade. Como o receio é algum, vou resistindo a ficar neste sistema caseiro de dar trabalho aos múculos que estavam habituados a fazerem uns quantos quilómetros por dia e a serem trabalhados diariamente.

Umas vezes coloco musica e danço até me esgotar. Pareço uma tonta mas não quero saber. Canso-me e sinto a energia a ser recuperada.

Posso estar em teletrabalho mas enquanto posso e como não preciso de apanhar transportes públicos, tenho vindo para o serviço. Sempre estico as pernas no caminho de ir e vir. As ruas estão semi desertas. No edificio há pouca gente. E na sala estou sozinha sem necessidade de contacto com colegas.

E amanhã será outro dia.

Bom dia.

08
Abr20

Bella Ciao


Mãe Maria

https://youtu.be/ZVMk95eJYOo

Da inspetora da série  "La casa de Papel", que não conhecia, a atriz Najwa Nimri. 

Li aqui que esta atriz, aos 48 anos, é uma das atrizes da moda em Espanha atinge uma espécie de ponto alto da carreira. Num ano, não só edita mais um disco, mas também vê a estreia da quarta temporada de “Vis a Vis” e, diretamente para todo o mundo, torna-se numa das caras do êxito “La Casa de Papel”.

Ando a ver esta época da série, mas confesso que a considero já demasiado cansativa, previsível, demasiado enredo que não acrescenta quase nada à história inicial, em especial ao professor inigmático, inteligente e perspicaz.

E ainda vão ser criadas mais duas temporadas. Aguardarei o que irão criar para nos manterem agarrados ao monitor e à série.

07
Abr20

Sinais de um tempo de paragem


Mãe Maria

IMG_20200406_175929_780.jpg

Descobri ontem, o verde que mora na cidade, ainda há pouco despedia de cor.

A primavera chegou e nem há tempo para a visitar.

IMG_20200406_182946.jpg

E até tirei esta segunda foto no meio da estrada, em hora que seria de ponta, do pára arranca, das pressas em regressar a casa.

Sinais de um tempo de paragem.

Se para muitos é um tempo de dor, dúvidas, stress e muita tristeza, de uma economia que se esvai em fumo de incerteza, para a natureza talvez seja um renascer das cinzas, da poluição, da sujidade que nós todos deixamos e, talvez abusamos, esquecendo que há mundo para além de nós, há gerações que vão querer um Mundo mais respirável e habitável.

Que lições tirar? Que dúvidas nos restam?

Como agir no futuro?

Que esperança nos resta?

 

 

 

06
Abr20

uma nova luta: vencer a piolhada


Mãe Maria

A quarentena cá por casa prossegue e segue com um ritmo moderado, de uns dias mais animados que outros, onde o desânimo tenta vencer-me. A notar pelas insónias que têm surgido nos ultimos dias concluo que nem tudo está bem como aparenta ser.

E agora aqui para quem me lê: lembram-de do meu poste do dia 25 de março passado, aquele em que eu dizia que ser mãe à vezes é ingrato?

Pois então, a rapariga queixava-se nessa altura de coceira na cabeça, e já dizia que tinha um fungo na pele. Comprei-lhe um champô para a irritação do couro cabeludo para não me irritar mais com os queixumes da miúda. Entretanto, ela começou a tomar um antihistamínico que a médica lhe receitou numa consulta on-line. Pois voilá o cerne da questão que tornou o nosso dia de ontem numa luta sem tréguas. A juntar à maldita pandemia, já tão falada neste mundo, juntou-se um ataque brutal de piolhos na cabeça da rapariga. Afinal, ela estava com razão. A piolheira invadiu os seus longos cabelos castanhos claro, a fugirem para o loiro.

Pois é. É isso mesmo o que está a pensar. Está espantada com o que disse? Também eu. E eu ainda a sentir-me uma péssima mãe. E sem saber como é possível visto ela estar fechada, em casa, há quase quatro semanas. E os piolhos a alimentarem-se dela. E eu a deixar. E a deixar os bicharocos a avançarem terreno. E, está-se mesmo a ver, eu já retirei dois deles da minha cabeça. Horrorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.

Onde vai esta miúda buscar esta bicharada???

Pois nem sei que pensar do assunto. Ninguém entra e sai de casa além de mim e do marido. A última vez que a sobrinha neta entrou já passou mais de quatro semanas. Falei com a sobrinha e diz que a garota não tem nada nem se queixa de coceira. Não me sobra onde ir buscar uma justificação, que precisava para entender.

Mas pronto, na falta dela iniciámos uma nova luta: vencer a piolhada em tempo de pandemia e emergência nacional.

Lá se viu tamanha façanha?

02
Abr20

Medo da derrapagem mental.


Mãe Maria

Eu não estou cansada de permanecer parada, ou mais parada que o habitual. Eu só estou cansada de saber que estou proibida de sair quando me dá na cabeça, quando posso, quando preciso. É a única diferença. É o tal sentimento de quando nos proíbem, sendo o fruto proibido o mais apetecido. É uma questão de contradição como quando somos garotos. Não posso fazer, mas eu faço. Tudo uma questão de contradição.

Na verdade estou muito habituada a estar por casa. Há muitos fins de semana e férias que foram e são feitos por casa, sem chegar a por o pé fora de casa, a não ser para ir a umas compras ou mesmo para dar uma volta ao bairro.

O meu paradigma sempre foi viver com o que tenho. E como foi quase sempre difícil, o difícil de agora e o obrigatório, faz-se bem.

Na verdade, há só a questão psicológica de saber que estou proibida. É isso que mexe com o meu interior. Se me mentalizar no contrário, fica mais fácil vencer esta imposição.

Há dias em que me parece irreal, que tudo não passa de uma invenção ou simplesmente não existe. Mas basta-me ir à janela para ver que o cenário é mesmo real e fantasmagórico. E se ligar a televisão, dar uma vista de olhos pelas redes sociais a verdade logo acorda os meus neurónios que querem parecer manter-se ao ritmo de fevereiro passado.

É incrível como funciona a nossa mente e como se influência negativamente.

Estou calma, o mais que posso. Nos dias que fico em casa a trabalhar faço exercício, correndo num espaço exíguo, mas corro, estico as pernas, danço, movo-me o mais que posso. Sinto vontade mais do que nunca de acordar cedo para ir, diariamente, ao meu ginásio. Tantas vezes me deixei dormir. Hoje só me quero levantar para ir.

Quando saio para ir ao trabalho vou sem receio. Não me assusta andar na rua. Tenho os maiores cuidados em não cruzar com ninguém, em não tocar em nada, em manter distancias. No trabalho estou sozinha na sala. Não circulo mais do que preciso. Aproveito estes dias para fazer as compras que necessito. Não entro em lojas com muita gente e que haja fila de espera. Procuro as pequenas mercearias e trago só o que preciso.

O que tiver de acontecer que assim seja. Creio ser difícil fugir ao inevitável.

Penso muito nos acontecimentos, mais intensamente quando a luz se apaga e tento dormir a minha noite em paz. Mas a cabeça não para e penso nos idosos que são os mais afetados e que são o principal alvo desta pandemia e no cruel da situação. Penso no futuro mas não estou, ainda, a ficar tolhida pelas consequências. Tento aceitar, tento ter esperança, tento ter paz interior.

Conseguirei manter este registo por quanto tempo? Este é, de facto o meu maior medo. O medo da viragem. O medo da minha derrapagem mental.

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