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4 sapos

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

4 sapos

28
Mar20

Utopia?


Mãe Maria

O texto que se segue foi lido hoje no jornal Expresso: " O dinheiro do Estado tem de chegar às empresas e destas às familias. É preciso garantir que o Estado faça o que dele se espera. É preciso que o Estado garanta, que aja, que proteja quando tudo se desmorona".

Pois, é uma frase que pode ou podia ter sido lida em muitas outras publicações, hoje, amanhã e sempre. São estas frases que mais se clamam quando as crises batem à porta de todos nós. Ou seja, cai a desgraça e apela-se e exige-se, logo, ao Estado que pague, que pague, que pague, que sustente, que se aguente, que faça das tripas coração, que cumpra a sua função social.

O que eu pergunto: em tempos de paz e de lucros, cumprimos os nossos deveres para com o Estado? Ou passamos metade da nossa vida a queixarmo-nos dos muitos impostos e valores que nos são exigidos para manter a máquina a funcionar? E quantos se imiscuem em fugas aos impostos e em fuga de dinheiro, os seu muitos lucros, do país para os ditos paraísos fiscais?

Ah, pois é. Há má gestão do Estado. Eu sei. Há os que se aproveitam e governam mal as nossa verbas. Eu também sei e estou de acordo.

Mas se cada um fizer a sua parte, a máquina engrena mais a direito que para o torto.

E em tempos de crise é válido exigir-se ao Estado a segurança e ajuda. E este tem de prestar contas ao dinheiro que lá colocámos. Isto, não é válido para quem anda metade da vida a encher os bolsos e a fugir às responsabilidades individuais para com a máquina do Estado, que somos todos nós. É a sua parte e responsabilidade social. Porque a responsabilidade social não é só do Estado mas de todos nós, como habitantes de uma sociedade que se quer livre e participativa.

Pode ser utopia, que não creio que o seja no seu todo. Basta observar a dinâmica das sociedades mais a norte onde a máquina funciona melhor, com cada um a colaborar melhor na sua parte. Há sempre números que fogem ao controlo. Sim, eu sei. Talvez seja porque não é possivel existir a perfeição no mundo. Somos, acima de tudo humanos e não máquinas.

27
Mar20

Aventuras culinárias


Mãe Maria

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Ontem, foi dia de encher o meu pote das bolachas.

Como havia flocos de aveia, saíram estas cookies de aveia.

Quem quiser aventurar-se e distrair a mente, aqui deixo a receita que não a quero só para mim.

Num recipiente juntar os elementos secos só para envolvê-los: 150 gr de flocos de aveia; 120 gr de farinha (eu usei integral); 60 gr de coco ralado; 100 gr de açúcar (eu usei açúcar de coco); 1 colher de sementes de chia (opcional).

Num tacho que possa ir ao lume colocar 80 gr de manteiga sem sal e 75gr de mel. Deixar em lume brando até a manteiga ter derretido.

Numa tigela pequena colocar 3 colheres de sopa de água fervida e deitar sobre ela 1 colher de chá de bicarbonato de sódio.

Pegue nesta mistura e vá juntá-la à do tacho. Deixe aquecer um pouco e retire do lume.

Por fim, junte os ingredientes secos. Envolva até estar tudo bem misturado. Fica uma massa que se esfarela. Não se assuste. É mesmo assim.

Deixe arrefecer um pouco.

Faça pequenas bolas, calcando a massa entre as mãos e coloque-as num tabuleiro forrado com papel vegetal de cozinha. Dê espaço entre as bolas porque as bolachas crescem, e achate-as com ajuda de uma espátula.

Vão ao forno a cozer a 160.º, cerca de 10/12 minutos.

Acompanhadas com um café, sabem muito bem.

E não as comam todas de uma vez.

Estamos muito parados para gastar as energias consumidas com estes miminhos, bem necessários para nos ajudar a ultrapassar esta fase de mitigação da doença que estamos a viver.

Bom dia.

 

 

26
Mar20

É certo? Estou errada??


Mãe Maria

Estou em dias de trabalho, não em casa em teletrabalho, mas no local habitual de trabalho, o que tem me permitido assistir a algumas coisas. Pensamos que estamos a protegermo-nos mas, nem sempre é assim. Vejamos:

1) Já vi um soutien a fazer de máscara. Pois bem, duas ótimas bolsas, a protegerem a dobrar, a entrada de qualquer agente patogénico. Foi a situação mais hilariante que já vi.

2) Aqui no meu trabalho, há agora um colega, querendo proteger-se e não condeno por isso, que deixou de falar com os restantes colegas que tal como ele, têm de andar por aqui. Não diz um "bom dia", nem de perto nem ao longe. Anda de máscara e, mal chega, enfia-se na sala, ferrado a sete chaves.

3) Há uma colega que me diz que chega a casa, tira os sapatos fora da porta, despe a roupa exterior logo à entrada, coloca a roupa toda a arejar, vai tomar um banho para se limpar, lava todas as compras que fez, desde emblagens e frutas e legumes, sacos e afins com uma solução de água e lixivia, e mais uma quantidae de cuidados que agora não me lembro. O que sei é que estou bem longe desta perfeição, por incapacidade natural de conseguir manter esta rotina.

4) Ainda, hoje, eu fiz uma que só sei dela porque foi presenciada pelo marido. Pois bem, cheguei a casa para almoçar e tirei logo os sapatos à entrada e calcei os chinelos estrategicamente aí colocados com o intuito de me salvarem. Ao sair para regressar ao trabalho, descalcei os chinelos, calcei os sapatos e aqui vai a asneira: empurrei os chinelos com a sola do sapato. Ora, se esta está contaminada, foi nessa altura contaminar o chinelo. É certo???

5) Ao ir para casa fui ao pão. Havia uma senhora na fila. Ainda o  cliente que estava na loja se preparava para sair, já o vendedor logo se apressou a chamar o seguinte cliente da fila. Está cometido o primeiro erro pois além do espaço de venda ser exíguo, estes irão estar quase em contacto. Não há espaço para o tão falado distanciamento social.

5a) A senhora entrou mas teve de abrir a porta com as mãos pois esta encontrava-se encostada. Segundo erro: a porta deveria estar aberta para não haver qualquer toque na mesma. Contudo, o vendedor preocupou-se em cobrir o manipulo da porta com papel aderente. Mas isto salva-nos de algum contágio? Não creio.

5b) Entretanto, a senhora está dentro da loja mas, o anterior cliente não chegou a sair, tendo voltado para junto do balcão sem contudo manter qualquer distância com a senhora que tinha acabado de entrar. Estavam lado a lado, pois como já disse, o espaço para venda é exíguo. Aqui não houve a distância social obrigatória. Continuo errada?

5c) O tal cliente saiu e fiquei a observar o pagamento da senhora. Terceiro erro: esta puxou de uma nota de 5 euros, entregou ao vendedor do pão, que tinha luvas, mas foi com elas que ele pegou no dinheiro do cliente anterior, foi com elas que pegou no saco do pão desta senhora, e foi com elas que deu o troco à senhora e foi com elas que atendeu o cliente seguinte que foi o meu marido. Ora, se há por aqui contaminação do vírus, este está mais que espalhado. Estou errada??

6) No caminho para o trabalho observei um casal que vinha em direção contrária à minha. Entretanto, pararam nos contentores do lixo. A senhora abriu a tampa do contentor com a ajuda de um lenço de papel. Parece tudo certinho, até aqui, digo eu. Só que, enquanto o marido deposita o lixo no contentador, ela virou o dito lenço com o qual usou para abrir a tampa, para as suas mãos. Se havia contaminação, com este procedimento, acabou por contaminar a mão, a seguir contaminará o marido, e quiçá, muitos outros até eles chegarem a casa.

Conclusão minha: se a contaminação deste vírus se proceesa como eles dizem, facilmente, e que o vírus se mantém ativo um ror de horas em certas superficies/locais, se é preciso desinfetar a toda a hora tudo e todos, então, poucos de nós iremos escapar.

Estarmos com medidas de emergência nacional, de contenção e de exceção, é para ser levado a sério.

 

25
Mar20

Ser mãe, às vezes, é ingrato


Mãe Maria

Ser mãe, às vezes, é ingrato. Há que tomar posições que podem não ser as que eles querem. Vai dar conflito, mas paciência. Faz parte do processo.

A paciência foge me quando ela começa com as hipocondrices. Tira-me do sério. E sou direta. "Não sejas hipocondríaca". Cai-lhe como ofensa. Fica melindrada. Sou a pior mãe do mundo.

E logo a porta se fecha com estrondo. Fico proibida de entrar no seu casulo. Como se eu a tivesse espancado.

A malcriadice não pára e eu trepo às paredes.

"Estás a ser infantil. Cresce que já tens idade para isso".

O que deveria ter sido um desabafo, já insistente, diga-se, dela, virou-se, em segundos, num tsunami familiar.

Eu só não deixei que a história de uma comichão na cabeça se transformasse numa doença efetiva.  "na net diz que pode ser um fungo". "Pois, respondi eu, já agora, não queres que seja um vírus, vê-la se não é o Covid. Não comeces a inventar e a ver doença onde não há. Muda de shampoo". 

E, pronto, as palavras enrolam-se e o caldo entorna, quando a palavra hipocondríaca me saiu da boca.

Porque é sempre assim. De um problema, é logo uma coisa pior. Porque leu isto e aquilo e mais aqueloutro. 

A estrada virtual está à mão de semear e depois lê-se o que se quer e não deve. Faz-se um filme, onde nem o enredo começou a ser escrito.

Não sei onde ela foi buscar esta mania das doenças. Tem pouca tolerância à dor, isso já eu sei. Mas daí ser tudo um problema, haja paciência que me anda a faltar, ou nunca a tive para este género de coisas.

Mãe está cá para isso mas também para por os pontos nos is, mesmo que crie verdadeiros turbilhões. Creio eu!

E agora estou com uma insónia do tamanho da chatice que tive. 

24
Mar20

Apetece ficar assim.


Mãe Maria

O vírus já cansa e ainda não chegamos ao pico de infectados.

A vida quase parou e está a meio gás.

E não há fim à vista.

Só a natureza agradece por estarmos quietinhos. Há menos poluição menos ruído e menos lixo pelo chão.

As cidades nunca estiveram tão limpinhas. Até dá gosto ir pela rua fora.

Em Lisboa escuta-se o silêncio, o ar está mais leve, há muito menos confusão. Parece eternamente dormingo, de manhã bem cedo.

Apetece ficar assim.

O mundo parece querer dar-nos uma lição. Saberemos ler nas entrelinhas? Ou vamos continuar sem ouvirmos estes sinais de apelo da natureza?

Creio que já estamos surdos demais para entendermos que está nas nossas mãos mudar o rumo da vida.

Se não fizermos ou tivermos essa capacidade para mudar, mais acidentes destes irão surgir.

E quem vai sair vencedor, logo se verá.

 

22
Mar20

A primavera chegou


Mãe Maria

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A primavera chegou e anda por aí a pavonear-se sózinha pelos jardins da cidade, nos campos e montanhas.

Quem não pode andar por aí, por agora, sou eu e muitos mais pessoas além de mim...

Por isso reinventei a primavera nos meus papéis, com a ajuda dos meus pincéis e aguarelas que esperavam por mim há muito tempo.

Não consegui dar a cor brutal que primavera merece ter. Eu sei disso mas, não nasci artista.

Acho que saiu florida tal como deve ser a primavera e que espero, brevemente, poder tocar-lhe de perto e absorver o seu aroma. 

Fiquei feliz com estas minhas flores primaveris que ajudaram a passar, mais rápido, este meu quarto dia fechada em casa.

Amanhã, porém, volto ao trabalho. E seja o que Deus quiser.

18
Mar20

Para distrair o cérebro


Mãe Maria

Teletrabalho, é um baralho

fora do tabuleiro da vida,

teletrabalho até é porreiro

ficamos em casa o dia inteiro.

 

Teletrabalho é um desejo

só mesmo nos tempos primeiros,

passam os dias, mais as semanas,

ficamos logo meio insanas. 

 

"Ai que bom ter um patrão",

dizer mal da Cesaltina,

do Tomás que tem manias

e das suas ninfomanias.

 

Ai aqueles dez minutos,

para a trinca no pastel de nata.

Ai a saudades do café,

na confusão do bar do Zé!

 

Teletrabalho sim ou não!

Fica agora a confusão!

Teletrabalho? Sim?

Parece-me que não.

Mãe Maria

 

 

 

18
Mar20

trabalhar a partir de casa


Mãe Maria

A segunda palavra de ordem, acima da principal, " #ficaremcasa"é "#teletrabalho". Se a moda pega, vamos ter um futuro bem diferente. As empresas vão ver vantagens nisso e irão repensar esta nova forma de funcionamento.

Estaremos preparados, psicologicamente, para tal?

Não creio. Se trabalhar a partir de casa tem lados que são de algum conforto, há outros para os quais as pessoas já não estão habituadas que é a parte social, o contacto direto com os outros, o não de sentirem isoladas.

A ver vamos o que vai dar esta reviravolta que o virús está a causar na sociedade.

17
Mar20

É um gato, não uma gata


Mãe Maria

O gato ronrona, ressona

dá pulos na poltrona

de cauda peluda,

cauda agitada, bigodes cortados.

O gato miava, choramingava

é um gato, não uma gata,

mimado, amarelado,

de cauda enrolada

saltita feliz,

rói a capa do sofá,

faz xixi na sanita.

O gato melado, meloso

miado, miudinho

tem saudades de um miminho.

Guloso, matreiro

bebe leite gumoso,

 e atrás do roupeiro

espreita o rato maroto.

O gato tomé

sobe para ao pé

do dono vaidoso,

e o dengoso bichano

no colo adormece,

ronrona baixinho, o bichinho.

Mãe Maria

 

 

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