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4 sapos

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

Mãe de dois, 56 anos. Gosto de livros mas não me dedico 100% a eles. As costuras, pintura, cozinha, caminhadas e corridas ocupam o resto do dia. Fazer bolachas é um mimo, escrever é um alimento da alma.

4 sapos

24
Fev20

Carnaval não, obrigado!


Mãe Maria

Estou sem elásticos que me estiquem a vontade de estar acordada. Mas não passo desta vontade. Noite após noite repete-se o pisca pisca dos olhos, o puxa para baixo das minhas pálpebras e sua teimosia de permanecerem no mesmo estado. Não cerram fileiras, ponto final. E a noite transforma-se em dia, numa lentidão que faz dó e quando o dia é uma senhora o pisca pisca volta e o puxa para baixo das pálpebras ferra meus olhos de vez. Só que é hora de trabalho e o olho tem de estar alerta e deixar a cabeça pensar.

E que rumo tomar? Uma encruzilhada com muito pó. Ando com as voltas trocadas. A noite deveria ser dia e o dia a noite.

Meninos, ponham-se no seu lugar e nada de partidas de carnaval que este nunca me foi prazenteiro, quero-o pois, bem lá atrás do outeiro.

Não gosto destes foliões carnavalescos. Acho-os sem graça. Mas sou eu, confesso, que para animações deste género, sou uma desgraça. E cada vez pior. Deêm-me uma caminhada que vou toda satisfeita, uma boa jantarada com conversa animada, que logo me tiram do sofá, dêem-me, até, um programa para uma corrida, daquelas de deixar as pernas doridas, que lá irei eu embarcar nessa aventura.

Carnaval não, obrigado! Folia em excesso, multidões a encherem as ruas, sem sentido algum. Talvez tenha esta embirração nascido no dia que pus o pé em Lisboa, há mais de trinta anos, em que fui o alvo certeiro de um ovo mal cheiroso com muita farinha à mistura. Toda eu era uma omolete de ovo cru. Sem piada, portanto. Recordo bem a pancada que levei e que frio estava, não me permitindo meter a cabeça debaixo de uma torneira para me limpar de tão estupida brincadeira.

Já se riram? Pois eu hoje, também, arreganho a dentuça, só porque estou à distância de muitas luas, na recordação de tão triste figurinha a minha, a escorrer ovo podre por todos os fios do meu cabelo.

Sair à rua nestes dias, eu agradeço, mas fico no choco, embrulhada no meu sono, pode ser que ele me dê uma tarde santa.

22
Fev20

Festival da canção ou do excesso de imaginação??


Mãe Maria

Estou, como é meu hábito, a ver o Festival da canção, agora com semifinais pelo meio a culminar com uma final. Só para prolongar a coisa, digo eu, ou então são 'Modernices".

Já desfilaram, nem chegou a meia dúzia de canções, e muito sinceramente, se continuar com esta imaginação excessiva, o querer ser diferente (será?), passando também pelo déjà vu, não vamos longe. Ouço falar "ser um festival de intervenção".

Bem, de intervenção ou não, isso não sei. Parece-me que, a continuar neste registo, está feito o caldo para  para nos azedar no estômago mais à frente. Nada que não estejamos habituados. Aquela nossa vitória foi um desvio anormal na longa participação portuguesa na Eurovisão. Manter-se-á uma única e última vitória, num festival da Eurovisão. 

E não havia necessidade. Somos um povo com muita imaginação, talento e bom gosto. Porque queremos inovar com pirosices sem sentido algum? 

Mas, posso estar a precicitar-me pois, ainda faltam algumas canções e no meio desta (e da que virá), profusão de estranhas canções e apresentações, pode existir sumo doce num copo meio cheio, deste já azedo sumo de limão.

21
Fev20

Cheque mate no tabuleiro da minha vida


Mãe Maria

Levei um cheque mate no tabuleiro da minha vida e fui, mais uma vez, a Norte, desta vez num dia inesperado. Ia desnorteada com a notícia que sempre sabia que iria chegar, mas que, afinal, nunca estamos preparados para a receber.

O telefone tocou e a notícia foi dispáro de bala direta ao coração. Levei como que um choque elétrico, paralisando metade de mim, tendo a outra metade ficado perdida entre as cinzas do momento.

E a despedida foi entre soluços contidos, regado de lágrimas teimosas, que eu ia secando para não me afogar nesse lago salgado, quase sufocando a alma. Eu não queria que assim fosse mas a serenidade não nasceu comigo.

E, hoje, há um aperto no peito, uma secura na boca. Estou tentando reter a minha dor porque se ela sai, em forma de palavras ditadas, vão gerar confusão, desentendimento, e acabarei mais só.

Contudo, há uma revolta interior difícil de conter, uma rebelião sem sentido pois sei que o sentido da vida é só um: nascer para morrer.

Morreu o homem que me gerou. Levou consigo parte de si. A outra, está em cada um dos seus rebentos. Eu sou uma parte. Não sei se um quarto, se uma milésima. Mas sei que ele deixa comigo  a sua sensibilidade, a poesia da vida mas, acima de tudo, a insatisfação constante que gera revolta interior porque nos achamos incompreendidos.

É lixado, penso eu no fundo de mim mesma. Mas é uma herança que vem do homem por quem nutria um carinho excecional, pelo pai que foi, embora severo por vezes, mas que soube dar uma liberdade infinita às opções de vida de cada um de nós, embora contrárias ao seu pensamento.

Era um artista, não de tablóide, nem sempre compreendido, como qualquer verdadeiro artista, deixando um projeto da sua vida que não vai ter continuidade, parte com ele, com um FIM definitivo. Triste ser assim, pensaria ele, se pudesse saber deste destino. A obra sim, irá permanecer visível no património histórico, na arte sacra de várias cidades, vilas e aldeias deste país, onde ele deixou tudo de si, pensando na obra não no dinheiro.

Era amigo do seu amigo e tudo dava, mesmo que tivesse de tirar de si mesmo e dos seus.

Era imperfeito como qualquer um de nós o é. Fez sofrer e sofreu muito. Construiu e destruiu muito castelo de cartas. Lutou e foi vencido um milhão de vezes. Amou a vida como ninguém e agarrou-se a ela até as luzes do palco se apagarem. Desejou partir antes da sua hora marcada outro milhão de vezez, sempre que o desespero lhe toldava a alma. Era um homem de fé, de convicções políticas sérias que lhe tiravam o sono em longos discursos inflamados noite dentro. Era um desconhecido e conhecido entre muitos.

E, hoje, restamos nós, que basta olharem para o nosso rosto, logo somos identificadas como uma das filhas do artista da cidade que não o viu nascer mas, onde cresceu e se fez o homem que ele foi: de coração quente e cor do fogo, tal qual o calor e a cor do por-do-sol (dizem, que eu não conheço) da terra onde nasceu, moçambique. 

18
Fev20

Mas posso pegar no carro???


Mãe Maria

Recebi uma notificação da Polícia Municipal assim: (Leia-se que, onde está um XXX, está um nome ou uma morada que aqui não vou identificar, não é? Tudo o resto é conforme veio):

"Notificação

Fica o arguido abaixo notificado de que é acusado da prática do facto a seguir descrito, sancionado nos termos das disposições legais também referidas:

Arguido: XXXXX, Nascido em # NIF XXXXXX Carta/Licença # Emitida por # Doc. de Identificação Bilhete de Identidade n.º XXXXX Emitida por # em # Domicilio Fiscal XXXXX.

Veículo: (não vou descrever porque apenas identifica a viatura).

Infração: Data: 2019-12-25 Hora 13:43 (dia de Natal, gente...ia atrasada para o almoço, eh, eh) Presenciada pelo autuante XXXXXX e pela Testemunha ______, BI/n.º Agente_______/, Local Av. Infante D. Henrique, oposto n.º 155 - Sentido S-N, Lisboa Comarca Lisboa Distrito Lisboa Descrição Sumária O referido veículo circulava dentro da localidade , pelo menos, à velocidade de 87 Km/h, correspondente velocidade registada  de 92 Km/h, deduzida a margem de erro legalmente prevista, sendo o limite máximo de velocidade permitido no local de 50km/h. A velocidade foi verificada através de equipamento XXXXX, aprovado pelo IPQ em 03/10/19. Normas infringidas CE - Art.º 27.º n.º 1

Sanções: Coima: Euros 120,00 (cento e vinte euros) a Euros 600,00 Prevista em Art.º 27.º n.º 2 a) 2.º Sanção acessória de Inibição de conduzir de 1 a 12 meses Prevista em Art.º 145.º n.º 1 c), 147.º n.º 2 e 147.º n.º 3 do C.E., em conformidade com os artigos 136.º e 147.º do mesmo diploma.

A seguir vem os termos da notificação que explicacam que sou acusado do que atrás vem descrito e que sou notificada a partir do dia que assino a o recebimento da carta.

Depois diz o que fazer, que não é mais uma descrição de como pagar, sem chegar a enender qual o valor exato, e como recorrer, caso queira, e como fazer o requerimento, a quem enviar, etc, etc.

Juntaram uma foto de um carro que parece ser o meu, mas a matrícula não se vê, e ao lado há outra imagem com a ampliação só da matricula que mais parece um corte e cose de imagens.

Contudo, pela notificação, sobram-me as seguintes dúvidas:

Vou pagar 120? ou mais que isso, até ao limite máximo de 600 euros???

Vou ficar inibida de conduzir 1 mês??? ou mais meses até ao limite máximo de 12 meses???

Vou se penalizada em quantos pontos na minha carta de condução? Isto se eu for ler o art.º 148. º do diploma citado...

Estou confusa...

Já liguei para eles e ninguém atende.

Há que pagar, e ponto final, e já não me estou a ralar com isso nem coma forma como eles me notificaram.

Mas posso pegar no carro???

Se tenho o azar, como  tive neste dia em que fui caçada, literalmente, pois estava uma calmaria em Lisboa e o meu excesso não causou perigo para ninguém, nem para eles que, pelo que vejo, estavam zangaditos pois era natal e estavam a trabalhar. Viram esta pobre senhora a abusar um pouquito e, zás, toma lá este presente que te lixas.

E aqui está o meu dilema: recebo uma notificação com um texto generalizado.

Afinal, o que é que eles me penalizam?

06
Fev20

Um local de trabalho é uma segunda casa


Mãe Maria

Precisava de falar mas não encontro a dose certas das palavras. Andam perdidas entre as minhas insónias que limitam o meu pensar, arrastando-me para o silêncio.
Nesta montanha russa de emoções que vivo, espero de tudo: ou a loucura dos dias futuros ou permanecer num castelo sem alicerces de betão.
Tentei virar a página mas rasgaram-na com uma tesoura de prata. E eu apanhei os pedaços que vou colando conforme sei, num puzzle disforme construindo uma imagem sem nexo.
Aguardo a minha coragem para voltar inverter a direção de um rumo que me querem dar, sobre o qual eu hoje danço como se estivesse em cima de uma corda?
Ou aguardo a fervura deixar de verter e a temperatura manter-se inalterável, até a mente de ajustar, sem febre ou convulsão?

Há onze anos que vivo num equilíbrio moldado ao meu desequilíbrio. Este não se apaga de uma hora para outra com soluções a pisarem a minha pegada.
Um local de trabalho é uma segunda casa, não à beira da praia, num mar sereno e temperatura amena a consolar o corpo e a alma. Por isso, há que decorá-la com a maior brancura possível de modo a conseguir contemplar um azul celeste e estrelas a brilharem.
Não chega entrar, permanecer e, ao fim do dia, sair como se nada se passasse. E no final de trinta dias receber o sustento de uma vida.
Preciso de doses certas, não de incertezas que a insatisfação nasceu comigo e tenho de ter o peso que equilibre a minha balança. Fora deste registo, toda eu sou um castelo de claras.

01
Fev20

Adio, adieu, auf wiedersehen, good-bye..


Mãe Maria

Chegou o Fevereiro de vinte e nove dias, com o Reino Unido desunido da Europa.

Adio, adieu, auf wiedersehen,

good-bye...

A primeira saída consciente de uma teimosia saudável ou inconsciente de saúde débil.

Quem perde um filho perde uma vida. Quem perde um irmão nem sempre significa perder a vida. Irá este desmembramento causar turbilhão?

Resta aguardar se irá gerar o desmembramento da Europa que se queria unida e forte mas que vive dias febris, virulentos onde a união nem sempre me parece estar de mãos dadas com firmeza e convicção.

É uma visão minha muito simplificada desta questão que é muito política, económica e monetária. Mas deixo esta visão para os estudiosos deste assunto europeísta. 

Eu sou um mero peão que pouco ou quase nada consegue influenciar no mundo.

Voto em consciência. Ajo, diariamente, no melhor que sei para vivermos unidos e em paz. Mas sou consciente que sou sempre uma pulga no meio de milhões de abelhas mestras que nem sempre laboram pelo bem comum.

 

 

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