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24
Nov17

A dança dos anos

por Mãe Maria

João Ricardo e Pedro Rolo Duarte, da mesma idade que eu, partiram e estão agora não sei bem onde, à nossa espera, como diz sempre a minha mãe quando alguém deixa este nosso mundo.

Partidas muito antes da hora, que se pensa ser porque a idade ainda não vai funda..

Mas a vida é mesmo assim. Não há horas certas nem certezas absolutas.

Hoje eles, amanhã seremos nós.

E o meu pai faz hoje 92 anos de vida, longa, vivida com muito trabalho e suor, muitas alegrias e tristezas.

Um resistente às adversidades duras da vida, da falta de dinheiro, de trabalho pesado, de uma família grande.

Tem ainda o privilégio de ver todos os seus sete filhos,  esposa, meia duzia de netos e mais ainda uma bisneta.

Sorte a dele que consegue resistir a tanta muralha que há para enfrentarmos.

Ele ultrapassou muitas, mas continua connosco, debilitado, mas ainda pensa, vê, não ouve, não fala, mas conhece com emoção quem o vê.

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23
Nov17

Licor dos Deuses

por Mãe Maria

DSC_0098.JPG

Choveu no céu de Lisboa.

As pingas foram poucas.

Nem sei se chame de chuva, se pequenas lágrimas de tristeza.

As cores das flores já murcham

de tanto sol lhes bater no rosto.

Não há oceano que aguente tamanha seca.

 

E eu que acho o inverno uma tamanha seca.

venha ele, frio, molhado e gelado.

 

 

 

 

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22
Nov17

Natal outra vez?

por Mãe Maria

Chato mesmo.

 

Não consigo digerir bem esta festividade, nem acompanhar a alegria que, o sapo mor desta casa portuguesa, sente. Fica a minha frustração, solta neste fado meu.

 

Prendas...presentes forçados;

Doces...em demasia;

Familía....o gosto de juntar todos, em paz, à volta da mesa, já se perdeu;

Presépio....quase caiu em desuso o que, o meu pai tanto gostava de fazer e que dedicava 100% das suas forças, na sua construção;

Pinheiro...não tem a mesma beleza daquele que cheirava a pinheirinho acabado de ir buscar ao monte;

Chocolates....é o presente de recurso e já enjoa;

Missa do galo...nem este amigo já canta no nosso viver natalício;

25 de dezembro...foi-se o acordar, de manhãzinha cedo, na expectativa de ir ver o que o Menino Jesus, supostamente, deixou aos pés do presépio.

 

E assim, caminhamos para mais uma época natalícia.

Eu vou pé ante pé, de pé, firme e convicta que, o gosto desta época está, definitivamente, perdido e vive para além da Lapónia.

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